domingo, 17 de agosto de 2008

Aqui vai (again)... Z me passou essa praga, de novo, com novas perguntas, (um alívio):

- Amaldiçoar 8 pessoas.
- Avisar aos amaldiçoados sobre a maldição.

1 - Qual a sua banda preferida? Quantos shows dela você já assistiu?
Detesto essa coisa de favoritos, porque geralmente tenho uma penca... Vai lá: Linkin Park, The Exies, Silver Chair, Fort Minor, Adema, Deftones, Pink Floyd, Red Hot Chilli Peppers, The Beatles... puta, uma caralhada... Depende o dia, a hora. Nunca fui a show de banda estrangeira.

2 - Quem é o seu autor favorito? Quantos livros dele você já leu?
Novamente. Vários. No Brasil tenho 2 preferidos: João Guimarães Rosa (3 livros) e Érico Veríssimo (tb lembro de 3 livros). Para literatura estrangeira: Shakespeare (eterno! hmmm acho que foram mais de 5), Jack London, Saramago, Ítalo Calvino, Stephen King (tb uns 4 livros, não sei mesmo), Marion Zimmer Bradley (mais de 6 com certeza), Umberto Eco (uns 5, contando ficção e ensaios sobre estética e literatura), Ernest Hemingway, Arthur Rimbaud (2 livros).

3 - Acredita em vida extraterrestre?
Acredito em se ocupar com o que temos aqui e parar de buscar desculpas para fugir às nossas responsabilidades... Nossa Gaia precisa de toda nossa atenção, não há porque gastar tanto dinheiro e esforço se temos nosso Planeta tão desconhecido e tão maravilhoso bem junto e muito necessitado de nosso empenho para restaurar o que nós lhe fizemos. É infantilice procurar fuga nas estrelas.

4 - Cerveja ou coca-cola?
Nenhum dos dois - suco ou sakê, vinho, espumante, etc. Se tiver mesmo que escolher: cerveja, bem gelada e bem forte - Bavaria, edição especial Confraria, adorei essa.

5 - Sexo ou amor?
... Ai que enjoado isso. Guardo amor, é a prioridade. Demorei a aprender, mas hoje não gasto mais meu tempo caçando, sei o que é realmente que fica, o que me faz falta. Não vivo sem as pessoas que amo, mas posso viver sem foda. Até porque existem muitos prazeres além da cama a dois... ^ ~

6 - Chão ou parede?
Na parede é uma delícia... oO#

7 - Som alto ou música ambiente?
Muito alto e muito intenso. Acho que por isso adoro ir a clubes com os amigos!

8 - Signo preferido (exceto o seu):
Câncer. Eu tenho uma terrível queda por pessoas deste signo... é paixão à primeira vista.

9 - Quantas pessoas já beijou?
Seria um número decepcionante. Digamos que menos das duas mãos cheias...

10 - Com quantas(o) namorou?
Se for a sério: 1 única, com quem vivi, tive um filho e me arrependi enormemente (não do filho, bagual!). Tive também dois "casos" depois de estar solteira de novo, mas não gosto de dizer "namoro". Não deram certo.

11 - E quantas(o) amou?
... Não só esses três... Amo muita gente e meu amor é um tanto exótico. Tem muito erotismo no meu amor, mesmo com amigos e familiares (exceto os de sangue próximo demais)... Também tive vários amores platônicos. Ainda tenho, hoje mesmo, no mínimo 3 amores platônicos fora minhas paixonites familiares...

12 - O que anda ouvindo?
Um monte de mp3s que a mana e o mano me passaram, mais The Exies e chegados, Nujabes (muito) e Fort Minor / Linkin Park.

13 - O que anda lendo?
Atualmente: "Chryst The Lord - Out of Egypt" da Anne Rice, edição pocket em inglês, recém comprada. É uma ficção sobre a vida de Cristo, sua infância. Também lendo vários gibis: Nana, Berserker, Hellsing, Bleach, Seton, One Piece, Stephen King's Dark Tower, Fábulas (Pixel). E tenho gostado do que leio em Piauí, National Geographic. Zupi - maravilhosa, sobre arte!

14 - O que anda comendo?
Comida congelada, porque volto tarde do trabalho. No almoço, em geral, comida vegetariana (na maioria) ou lanche rápido. Adoro quando me permito comer no Du'Attos em POA.

15 - O que anda assistindo?
As Terríveis Aventuras de Billy e Mandy, Chowder. A Prova de Tudo, no Discovery. Filmes no HBO. Pânico, as vezes. Filmes redublados ma MTV. Adorava a série Em Terapia, mas terminou a temporada...

16 - O que anda fazendo?
Me estressando demais no trabalho. Pagando contas e mais contas. Escrevendo muito, experimentando estilos, efeitos, porque quero estar afiada para retomar meus projetos de livros.

17 - Ritmo, cor, fruta e bebida:
Ritmo: Intenso, vigoroso. Um bom rock, ou techno, ou hip-hop, ou jazz, ou ópera, ou sonata...
Cor: Negro, verde, vermelho.
Fruta: Amoras silvestres.
Bebida: Sakê de flores.

18 - Uma mulher, um homem e uma criança:
Minha mana. Meu mano. Meu filho.

19 - Lugar, época e saudade:
Lugar: Uma vila medieval, na Espanha, com direito a castelo. Uma floresta no Japão.
Época: O início do homem, quando ainda éramos um só com a Natureza, e ela era nosso Mundo. A honestidade e a simplicidade da Grécia Antiga. A fé e a honra do Homem Medieval. A rebeldia dos Românticos contra a Razão da Idade Moderna. O hoje, como lugar de luta e transformação, como um lugar de alternativas e oportunidades para uma mulher como eu, e de estrutura, para meu filho.
Saudade: Da minha infância, primos, brincadeiras, tanto verde e peraltices, sonhos, tantas coisas divididas e certezas, minha Vó cercada por suas filhas e netos nos Natais, nas Páscoas... Meus amados, cada vez que não os vejo. Minha gata siamesa.

20 - Com quantos anos você aprendeu a viver?
Acho que aprendemos continuamente. Dizer que já aprendeu a viver é dizer que está petrificado, que está morto de olhos abertos... Acho que aprendi sobre solidão e sofrimento com cerca de 4 anos. Sobre responsabilidade com 6 ou 7, cuidando meu mano. Sobre meu poder com palavras com uns 12 anos. Sobre decepção com amor com 15. Sobre os fogos da paixão aos 17. Sobre maternidade com 24. Sobre levar a sério os sonhos com 25. Sobre ter dignidade e exigir respeito aos 29. Sobre tocar minha vida como quero, só agora.

Amaldiçoados:
Hahaha, deixo que você mesmo escolha se quer essa maldição para você. Não esqueça de me avisar do seu questionário com um link no comentário.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

... e Deus fez a mulher...

Sangue...
O cheiro ferroso encheu sua boca, e então o acre de fezes e o pesado aroma de carne putrefata e tripas expostas. A mistura enovelou-se por suas sinuosas, longas, fosssas nasais. Deitou-se sobre sua língua... Ash rilhou os dentes - a sanha de matar transbordava por sua espinha, parecia que ia inundar seu cérebro, pulsando e fervendo dentro de seu crânio. Todos mortos...

Tensionou-se. Não sou mais um deles... Forçou sua consciência a subir de protocolo - Assegurar o perímetro. Procurar sobreviventes. O olho cuidou seu parceiro, os sentidos rastreando o ambiente - Protegê-lo - isso deve ser mais importante que eliminar inimigos.

A mão direita balançava inquieta perto do coldre da adaga - Banshee. Libertou o chicote da presilha em sua cintura. E passeava com os dedos pelo cabo emborrachado, como se acarinhasse a cabeça de seu wolfhound, para mantê-lo quieto até o calor da caçada. Espere... o momento certo... O impulso de matar ia e vinha como um tic tac constante em sua cabeça.

Na escuridão da cabine, mais corpos. Drako avançava. Já ele, se continha. Então, a quebra. Movimento. Som. Um pico de adrenalina. Refreou-se por completo, pois empunhara a arma e seu espírito disparava para aquela lona: viu-se puxando-a e aniquilando quem quer que fôsse ali debaixo.

Não foi o que fez... Manteve-se estacado. Vigiou Drako. Ele destapou-a. Poderia cortar o ar e estar lá a tempo de impedi-la de tocá-lo? Engoliu em seco. Só faça algo, se tiver certeza . Encurtou distância. Ela preencheu sua vista. Branca, o corpo formando um nó apertado sobre si mesma. Os cabelos como uma serpente de cobre enrolados em sua pele exposta. Eva e a serpente no Paraíso... Coágulos por todo seu corpo. Percebeu um som, um ritmo que lhe agradava - e então, finalmente, soube que ela também tinha dois corações. Duas batidas. Como "ele". Franziu o rosto. Acusou-a.

Seu companheiro - isso era bizarro - a oferecera a ele. Dar-lhe uma chance... Arregalou o único olho encarando-o na face depois detendo-se na mulher, chocado... Uma chance?... Como a que nós tivemos?... Estava contrariado, mas cedeu.

Levou-a até a praia. Olhou o Sol e depois ela, de soslaio. Viu dúvida nos olhos dela, talvez um pouco de medo, ou só confusão. As memórias invadiram sua mente. Verdade, ela era uma fêmea, como aquelas que ele jamais tratara bem... Estava frio, estava exposta. Ela repetia as mesmas palavras: "dor, dor" pedia que ele fizesse parar. De repente, abaixou-se na areia e escondeu-a protetoramente num abraço...

Sua voz tornou-se suave - ah, ele era um predador perigoso, camuflava-se para ganhar sua vítima. Podia mimetizar os humanos e ser incrivelmente sedutor e civilizado... Estaria usando de tática, ou realmente querendo ser gentil com a sua carga?... Perguntou a ela sobre o ferimento em seu peito sob as faixas de gaze. Amnésia, ou algo assim.

Lágrimas cintilando entre os cílios. "Desculpe, não estou fazendo direito... E você... está só me dando nos nervos!" Ela aceitou o tubo e tomou-o em muitos goles sofridos. Sentiu traição nele tão logo o efeito se iniciou, mas, para o pior ou o melhor confiou na resposta dele. Os humanos vieram - seria ruim se uma confusão começasse ali, e por isso os manteve longe dando-lhe uma tarefa... Primeiro, saber mais dela.

Frustração. Era o que lia no rosto do companheiro de andar pesado, que chegava. Sem mais sobreviventes, sem respostas, ao que parecia. Ia iniciar um interrogatório, mas a garota entrou em pânico - o emblema da Companhia no ombro do loiro. Teve de revelá-los a ela, mas isso realmente não importava manter em segredo. E novamente ela acreditou nele o suficiente. Mas não tinha informações.

Ondulações no humor de Drako. Ash escutava-o. Percebia preocupação e mal-estar. Revelou o que encontrara no cargueiro. Um sinalizador da Shinra. Iria atrair as vespas contra eles. Tinham aquela incógnita com eles, mas a possibilidade de um novo ataque a Condor Fort era mais pungente que desconfianças. Ela estava agora avisada. O Ex-Soldier formalizara tudo que ele planejara, antes de deixá-los a sós, uma segunda vez, incomodado.

Ante o olho amarelo que não a perdia um milésimo de segundo, ela parecia fragilizada e só. Ficou observando-a vestir-se e acompanhou seu olhar: as crianças a atraíam. Franziu a testa. E desta vez, Ike entrou em seu círculo de ação. Retesou-se de novo. Nada poderia acontecer àquele garoto. Permitiu que ele oferece-lhe sua ajuda e esperou que ela rejeitasse, para então afastá-lo também, à revelia.

Ela tinha um nome, diferentemente dele: Ane Marie. Chamou-a por ele e começou a triá-la mais fundo. Começou por ofertar-lhe algumas respostas sinceras. Cachimbo da paz. Em troca, ela dispos-se a unir-se aos rebeldes. Ash cutucou-a: mais uma vez só a verdade. Ela reagiu. A voz doce e quente ressoou em seus tímpanos, cada inflexão, o timbre, o gênio forte e determinado sibilando em cada sílaba.

Sorriu e desviou o rosto lívido, aprovando.

Não queria gostar dela.

Ia precaver-se.


My girl, my girl, don't lie to me,
Tell me where did you sleep last night?

In the pines, in the pines
Where the sun will never shine
I would shiver the whole night through

quinta-feira, 31 de julho de 2008

... só números...

You're keeping in step
In the line
Got your chin held high and you feel just fine
Cause you do
What you're told
But inside your heart it is black and it's hollow and it's cold

Just how deep do you believe?
Will you bite the hand that feeds?
Will you chew until it bleeds?
Can you get up off your knees?
Are you brave enough to see?
Do you want to change it?

[The Hand That Feeds by Nine Inch Nails]


Olhava o olho do Sol arregalado no céu alaranjado. Os pés - firmes no chão. Queixo erguido. Nem submisso, nem desprotegido. Só por uma breve fração de segundo. E os ombros voltaram a cair. O corpo voltou a deslizar mediocramente em passos miúdos e hesitantes.

Era como um mirante e a vista estendia-se por quilômetros lá de cima.

Uma máquina perfeita chegara antes e fitava o Astro iluminar o oceano e subir pela planície fria. De esguelha, espiou-o: "... você tem alma?..."

Debruçou-se nos escombros, indolente e repulsivo em sua atitude cética, passiva demais. Os olhos do Ex-Soldier faíscavam de energia e de gana. Era certo que tinham muitas divergências. E o garoto albino não gostava que o outro tivesse tanta persuasão sobre Sete.

Sete, sim. Sete. Número 7. Este é o verdadeiro nome daquele que o acompanha. Sete. Isso era outra coisa que o descontentava: aquele contra-molde metálico ousara dar-lhe um apelido. O único nome pelo qual 7 poderia ser chamado era...

Ah, chegará o dia, enfim - e não estava tão longe agora - em que ele, Zero, gritará o nome merecido por 7, irá chamá-lo pelo seu nome e despertá-lo. E então... Até mesmo a Lua tremerá e sua face mudará em face do que será testemunha.

Encarou o Sol de frente e sentiu calafrios de prazer, a garganta comichando com a gargalhada retida - ah, que surpresa terão quando o verem, a ele, Zero, reduzido antes a uma cobaia de laboratório, subestimado, manso e apático, quando o verem sobre tudo. Pobres idiotas, com que cara urrarão seu grito de morte?

Desafiou a máquina uma última vez, antes de retirar-se, medindo-a, sempre, com sua fala tola de criança. Sentia a aproximação de seu descendente. Que viesse abedelhar. Não poderia evitar.

Saboreou o desprezo do rapaz alto. Assim era bom.

Jamais julgue um livro pela sua capa.

... como uma criança...

Quanto mais os dias - até mesmo as horas e seus segundos - passavam, mais o Ex-Assassino tinha certeza e segurança de sua decisão.

Claro, ainda ficava confuso ao não receber ordens e ter de tomar suas próprias decisões 100% do tempo. Ria-se, no silêncio de seus lábios finos, quando percebia que vacilara, esperando um comando, um comando que não viria. Não mais. Seu caminho, quem escolhia era ele. Liberdade.

Um sem número de novas experiências cada dia. Mais que isso: novas perspectivas. Uma visão diferente de tudo o invadia, torcia seus conceitos, deixava-o insone, poeta, perdido, encontrado em si, finalmente. Encontrado nos atos "dele". Chocado, sismado e enlevado por "ele". Mas não só por "ele".

De um mundo restrito a alvos, cálculos, trajetórias e sadismo, desabrochava em sua retina uma profusão de novos mundos. Muitos mundos. Tantos mundos quanto pessoas. Sim, agora ele percebia.

Nem sempre isso lhe trazia êxtase... Olhando para trás, sua nova percepção iluminava bem demais, dolorosamente demais, os detalhes antes insignificantes e triviais de seu passado... E na esterilidade da memória, ele agora os compreendia, mesmo que não os pudesse apagar, ou rearranjar, como as vezes sonhava.

Agarrava-se ao que estava à sua frente - e ao seu lado. O presente tinha um gosto viciante, inesquescível e urgente. Dedicava-se a ele, absorvia o que podia, agia com a maior profundidade possível. Construiria sua vida agora, a caminho de sua missão, e gostaria que essa fôsse a marca de sua passagem por este Mundo. Por todos estes Mundos. Desenganados e oprimidos. Esperançosos e puros. Sonhadores e guerreiros. Frios. Amargos. Sórdidos. Ou simplesmente, seu mundo favorito - o "dele".

"Ele" estava agora sempre ao seu lado - mesmo quando muitos metros os separavam, o Cannibal sentia isso, e sorria, resignado. "Ele" volta quando for preciso. Tudo bem.

Cada reação, fôsse um gesto pesado, uma feição ora séria, ora tola, uma frase curta, cortada, ou a sombra de um pensamento "dele", qualquer coisa, tudo, é aprendida com extrema atenção. Aula, ou religião? Era outra coisa? Não sei, o que você acha? Cuide o olho amarelo dele sobre o parceiro, e a reflexão depois...

Sim, o olhar ímpar bebe humildemente dali. Assim como, pálido, escuta com fervor a voz firme e caridosa do Santo. E essas pregações ficam ressoando como um sino de bronze bem dentro de sua alma, como pombas voando contra vitrais. Tanto como permite-se aprender cuidando-as de longe, a elas, tão cheias de entusiasmo e idéias e emoções ingênuas - a elas: as crianças, um grande mistério ainda, um grande tabu e seu maior segredo...

Na cama, sozinho, caíra enfim num sono profundo. O cheiro nos lençóis insinuou-se para dentro da mente adormecida e das trevas surgiu "ele". Nuvens atrás dissolvidas. O Sol descendo "nele" como uma enorme coroa dourada. Moíam o velho Mundo à golpes, ombro a ombro. Circunvoluções. Aceleração. Força. O estrondar da velha Shinra desmantelando-se contra eles.


Então...

O hino de celebração das pessoas tornou-se agudo demais, terrível em seus ouvidos. Acima de todos, enorme e mosntruosa, a Empresa erguia-se para devorar a tudo, babando pedaços acabados de tudo, de tudo que haviam salvo. Falava com a voz daqueles que pareciam Drako. Com a voz de seu ex-time. Com o rugir dos Reatores de Mako. Do Sister Ray. Com a voz do novo Presidente. Jenova. Projeto... Zero...

Então com sua própria voz. É. O Corvo Branco gritava sem cessar em frenesi enquanto lutava e lutava e lutava ao limite de sua resistência, ao limite de seu corpo e - mesmo assim, ainda assim! - via que não conseguiria salvar a todos.

Não conseguiria salvar "ele".

E ainda lutava, sentindo tudo romper-se também em si e agora seu uivo de guerra era muito mais um gemido furioso e desconsolado. Um soldado deve seguir o plano. Sua missão. Não era uma ordem. Nem um protocolo. Fôra sua escolha. Era sua promessa. Tinha que mantê-la!... para "ele"... para "ele"... para eles. Mesmo que "ele" jamais abrisse os olhos novamente... Mesmo que "ele" fôsse pulverizado e esquecido pelo Mundo... Sim, mesmo que o Mundo perdesse o mundo mais lindo que conhecera...

Uma voz conhecida xingou-o claro demais - não se parece com um menino. Tão forte e alta que o resgatou do sono num pulo.
O olho amarelo tremeu, ofuscado. Alguém? Os ouvidos zuniam ainda, fragmentos de palavras e de seu grito. Nada. As cordas vocais estavam mudas de tensão. Suas costelas doíam, a cabeça...

Porém, pior era a ardência, trincando seu peito...

Foi-se pela porta.

----------------
Now playing: Incubus - I Wish You Were Here
via FoxyTunes

quarta-feira, 30 de julho de 2008

... espada e cordeiro...

And they say a hero could save us
I'm not gonna stay here and wait
I'll hold on to the wings of the eagles
Watch as we all fly away

[Hero, by Nickelback]


Havia um Mundo. Cheio de progressos espetaculares e edifícios gigantescos. Máquinas. Ciência. Um mundo que morria silenciosamente abaixo disso - ah, não o nosso, mas outro, como ele. E nesse outro mundo, chegou o Dia. Não para todos - ainda não.

O Juízo veio sobre uma comunidade isolada - uma comunidade de inimigos da Sociedade, inimigos do Progresso - disseram: terroristas, - ou seriam: libertários? Desordeiros ou inconformados? Rebeliados... ou sonhadores?... O Juízo veio numa nuvem de soldados e fuzis, bombas, rodas, rugindo como um behemoth, devastando como um tsunami.

Mas neste mesmo mundo trilhavam "eles". Correndo contra o girar da ampulheta, "seus" objetivos tangenciaram, coincidentemente, aquele instante decisivo - os últimos golpes de Golias contra Davi.

- Não existem coincidências... Deus não joga dados - não é mesmo? O Padre Ike jamais concordaria com uma blasfêmia que rebaixasse Ele a um viciado em jogos de azar...

Então, como era "seu" Destino e o dos moradores de Fort Condor, "eles" estavam de passagem por lá bem a tempo.

- Não existe destino pré-determinado. Esqueceu-se que Deus nos deu o Livre-arbítrio? Nós escrevemos nossa história, nós, os únicos a responder pelas nossas escolhas, e não as estrelas, e não o dia em que nascemos. Assim acredita o Santo Ike. Assim ele pregava aos mendigos, aos pobres, aos enfermos e aos órfãos. Assim pregara ao Assassino...

Movidos em "seu" despertar, máquina e bioróide, ombro a ombro, escudo enviado por Deus contra o poderio quase divino do agressor. Aquela entidade que drenava o Planeta. Que tiranizava-o. Shinra Corp. Shinra, o berço daqueles dois arcanjos vingadores. Desertores.

Um moveu-se em terra. Lobo. Garras e dentes fechando-se sobre o inimigo. O Executor. Que eu seja a Espada do Lorde dos Lordes e desça sobre os ímpios e se faça Justiça. E o clamor às suas costas elevou-se até o Céu e encheu a Alma do Mundo com o derradeiro sopro de seus oponentes. Não haveriam mais baixas para Condor Fort.

Um ganhou o vento. Dragão. Braços e coração abertos protegendo o povo. O Sacrificado. Que eu seja imolado no Altar por Amor a eles, meu Lorde, e eles sejam poupados. E sobre o mar resplandecente trovejou uma luz profunda afundando-se "nele". E tudo se apagou para o Herói, a Alma do Planeta o abraçou em sua queda.

Na comoção que se seguiu, comemoração e pavor. O impossível só aniquila aquele que se isola do Todo, pois quando somos Um com o Todo, o Universo está conosco. E, como um milagre, do ventre do mar ergueram-se "ambos" para a Vitória.

Em Condor Fort havia um largo sorriso no rosto "daquela" criança.
Uma oração de graças sussurrada a pleno coração.
E um sentimento que "ele" tinha de admitir mais alto.

Uma certeza.

Uma nova esperança.

domingo, 27 de julho de 2008

Um rastro para cá, um restinho ainda lá...

Férias terminadas, muita coisa plantada aqui - sementinhas de sentimentos, sementinhas de idéias, sementinhas de memórias, demais!... Gente, como essa nossa terra é linda... E que saudade da minha gente, do cheiro deles, do sorriso, daquele timbre de voz, das macacadas, do jeitinho de cada um... Viajar é a agonia de deixar o que se tem na espera e depois o que se ganhou numa promessa de voltar...

As fotos eu carreguei - umas poucas das mais de 500 que tirei - no meu perfil do Orkut... Tanta beleza, tantas curiosidades, detalhezinhos cheios de sabor, formas, brilhos, texturas, aromas impregnados daquele lugar, das pessoas, da vida, da cultura da nossa Serra Gaúcha... Da cultura dos meus ancestrais: alemães, italianos.

Estamos de volta. Fui reconhecendo os meus, dia após dia, em seqüência rápida: o pai e a mãe, depois os manos, a minha prima Mandy, então minha avó e minha dinda. Então os colegas de trabalho. Os mais estimados e os apenas colegas. O stress do dia-a-dia. Muito, mas muito mesmo, cansaço... Sexta eu estava um trapo: meu filho tinha ido com meu ex para ficar uns dias com o pai, a semana acabada, uma festa que eu não tinha condições de ir. Veio a salvação: um convite dos meus manos. Fui.

E foi ótimo, mesmo comigo tão estripada, mas tão zonza de cansaço, que confundi mais de uma vez "moranga" com "morango" me referindo ao recheio de um rondellini... É... *rindo*

Hoje, sozinha aqui no meu apê, concentrei-me em qualquer bobagem, simplesmente para esquecer o essencial: ele não está aqui, ele não volta ainda hoje, vou ter que esperar mais dias. Além da segunda e seu agouro. Gratificante conversar com eles, delicioso ler texto novo da minha mana. Frio, chuva, uma presença constante da ausência do meu pequeno tesouro, a TV tagarelando no fundo, o som de teclas... Quero criar algo nesse vácuo... Quero muito. Deixo meus pensamentos divagarem, mas tem uma panela chiando no fogo, agorinha... Meu almoço.

Hey, tenham fé em mim.

Será que vocês sabem o quanto e como amo cada um de vcs?

domingo, 13 de julho de 2008

Gato preto... mizifiu! treze, encruzilhada - uh uh!

Após um excesso no happy hour de sexta-feira, eis que me arregacei de dor por 24 horas... É... Hoje estou bastante melhor, levando em consideração meu estado no sábado. Não 100%. Ainda desconfortável pelas bandas do estômago. Apetite oscilante. Náuseas que vem e vão. Mas, tudo bem, toca-se, não é? Quem quis comer feito um urso e beber feito um viking fui eu mesma...

Well... Fato é que, apesar dos pesares de férias começadas de forma azarada, eu recebi em casa meu Gravador de DVD da Phillips, lavei toda a roupa suja da tulha, não deixei louça suja, instalei o Playstation 2, visitei meus manos no apê reformado, vi minha prima de passagem e passei uma noite na casa dos meus pais sendo paparicada...

Sim, infelizmente tiveram outras coisas que não andaram tão bem. Entre elas, a que eu mais lastimo: não pude dar um abraço de felicidades na minha avó ontem, nem começar a pintar a tela que eu havia planejado dar a ela de presente de aniversário...

Bem, se comecei com o pé esquerdo, estou dando um jeito de mudar o compasso. Amanhã viajo com meu niko e vamos a Bento por uns dias. Quero que seja divertido para nós dois - e vou fazer acontecer!

De lá vou escrever mais. Estou precisando muito - mas muuuuuuuito meeeeeeeesmo! - de descanso, de me reciclar um pouco e dar um tempo prá cabeça. O bloqueio artístico tá pesado e meu cérebro anda em marcha lenta há semanas. Nem gosto mais tenho em ler, muito menos em escrever e produzir seja lá o que for - o que é prá lá de fora do comum prá mim.

Portanto, me desejem uma temporada de vadiagem próspera. Com as pilhas recarregadas, pretendo voltar a toda corda!

Beijos a todos!