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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

... falta.. sentida...

Tsc... Engraçado como as coisas se dão...

Me bateu uma súbita saudade d vc... Uma saudade tão grande tua q meus lábios se entreabiram, sedentos dos teus... Como se pudessem invocar teu beijo longínquo...

Teu beijo mesmo d longe, incauto.

Desmedido.

Um beijo por telepatia.

Mágico.

Como ondas da tua voz na linha insondável das torres d retransmissão...

Como ondas...

Me espere no cais, alvorada.

Minha rota... invariavelmente... me lança d volta... a ti... a ti...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

... inefáveis... 2/2 sent aboard a train

Por isso hj venho a ti como se ñ houvesse tu, eu...

Ñ te mostrarei a gana em minhas entranhas d te esconder no fundo d meu peito qual leito feito p tua alma dormir, sossegada. Quente. Segura. E mais madura, resistente, dali lançar-se aos azuis mais alto q nunca, caçando teus sonhos num horizonte infinito, afrontando a tempestade e testando a força d tuas asas.

Ñ...

Ñ te direi nada disso, em voz, toque ou olhar.

Tu me sondou: o q eu queria d ti? - parece q fazem anos... ou ontem... Mas jamais me disse o q queres d mim. Em troca... Corro atrás de ti... dessas respostas... dessa presença... de calar em mim o um e sentir mais... dois...

Eu t procuro. Ou procurava. Por que?... Tu, se ñ me evitas, tampouco me buscas, e se ñ me buscas parece d mim ñ precisar...

Assim, nada falo d nós.

Assim, já nem sei... o q dividimos?... Saudade, será?...


Hey... quando tu passarás p mim e me deixarás embarcar d novo na tua vida?... ou tu querias, precisamente, q te assaltasse num rompante e te livrasse dessas correntes, q pressinto, te atam à terra, te sepultam? E se tudo for delírio d um coração violento e só, teria eu o bálsamo da tua compreensão ofendida, a chama do teu amor hesitante?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

... inefável... [1/2]

Há tantas palavras, caladas no fundo da garganta, e já ñ sei mais como dividi-las contigo.

Por isso, ñ te olho...

Há tantos gestos presos, de ternura... paixão... apoio... q já ñ sei fazer chegar a ti...

Por isso, ñ quero estar contigo... Preferia estar tão mais longe, q pudesse me dar o alívio de uma desculpa outra para essa ausência.

Raciocinaria q as cidades é q nos separam, os Estados, os Países. Q se tivéssemos a sorte de estarmos frente a frente, tudo seria aconchego, lar, calor e união...

Mas qdo chego a ti, ñ é verdade, as portas e janelas se fecham...

Ñ é q me conforme c isso... Simplesmente tenho medo d arrombar a porta e descobrir q tu estavas atrás, calçando-a...

Jurei p ti e p mim: - Jamais te ferir...

E se estivesses armado e ñ me reconhecesses mais?... Ferida sairia eu... E sei que tu te castigarias por isso...

Impasse...

[1/2 escrita no trem, continua]

domingo, 25 de outubro de 2009

... na noite veludosa...




Fazia frio... Não era um frio como o da neve por vir... Era um frio suave e triste, calor que ia se perdendo, descabelando pêlos pelo braço e coxas... Agora, ansiando por um gole negro e quente que varresse de si o latejar desses pequenos queixumes, ela relembrava... Teria sido diferente se houvesse insistido em ir um dia antes?...

Seria o timing?... Talvez ela fôsse má, má como não se compreendia. Karma?...

Havia tido a louca idéia (só a classificava como louca agora) de que aquilo era tudo que poderia querer, afinal um só dia para revê-lo... Era tão pouco, por uma semana inteira de faltas e lacunas, vontades que jamais podiam ser satisfeitas... vácuos...

Tivera diálogos sobre pessoas outras... Fumaça... Um pouquinho de atenção... Algumas risadas. Entre uma escovadela e outra nos dentes, pensava aonde fora parar toda aquela confusão de sempre. Talvez tivesse esquecido, naquele instante, que ele mesmo já lhe contara que não vinha se sentindo em boa ordem. Talvez esperasse (novamente demais) que isso mudasse pela sua simples presença...

Fato é que ela não era como o Sol nascendo, que pela proximidade clareia as trevas e desfaz a Noite, tornando a Lua disco opaco que voltará a desaparecer no horizonte, cada vez mais insignificante...

Não, realmente, não era. Ficou observando-se no espelho, por um breve momento, pois sentia-se completamente idiota e teve medo de ver isso explicitamente em seu rosto, ou em sua imagem, repentinamente, agarrar-lhe pelo pescoço e escurraçar-lhe. Imaginou mesmo que ele a convidara para vir? Hm...

Ainda tinha a madrugada pela frente, podia contar com isso? Um pouco disso? Ajeitou-se, pensava que o pijama curto tinha sido demais. Encabulou-se, mas jamais gostou dessa sensação, então varreu-a de si e voltou para ele...

Tsc... Como você é tola, menina... Bem que te avisei, hm? Creia unicamente na crueza do impulso, e não no lirismo de tua imaginação. Não funciona assim. Já teve chances, eu passei por ti em cada uma delas, você me negou expressão... Hoje, não se atormente, nada será preciso decidir, hm? Tsc... veja... hoje eu não sussurrarei comandos libidinosos prá ti, para que não me escutes... veja...

No quarto escuro, os olhos dela captaram a falta de espaço para aquele seu fantasioso bate-papo...
Ah... que saudades do que não tivera... a semana terminara muito próxima de como se iniciara... e algumas perdas se acumularam...Dormir, nada além, sob o véu veludoso de uma pesada noite.

A Lua vencera... bela e pungente, como um punhal pendente entre estrelas enuveadas...


Never be lonely
never be lonely again...
Waiting for this love
To bring me close to you!

[Reasons, by Bush]

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

... sobre um chaveiro, uma fera e um fantasma...


Um pequeno mundo... Respirações flutuantes... Um céu artificial de pensamentos turbulentos na escuridão... Raias de luz... Outros mundos, lá fora... Outros mundos, em cada um, aqui dentro... Separações que dóem, no presente. Do passado, coisas findas que insistem em voltar. Mas quem abre as portas e tenta dialogar com elas, hm?... Será que você, guardião das chaves... pode me dizer... num sussurro?...

Ela está aí... por você...
Deitas a fera de veludo longe, desta vez... Não penses que ela não percebe... E a outra... você a traz e a coloca em local privilegiado... tão próximo ao seu coração... Aos sentidos da fera, pouca coisa escapa... Há grilhões farpados ao seu redor... creia... a pequena fera pode vê-los... farejá-los subindo de sua mente... E eis que se ergue e te interpela, essa pequenina, quase inofensiva. Chaveiro, há nesse turvo, malte denso de tuas íris, na pupila que fere, um convite feito por ela mesma, portanto é em vão que tentas apartar teus olhos dos passos macios da tua visitante... Ela reconhece ali, apesar da intensidade dos avisos, uma paisagem que lhe convém... Que lindas estrelas em teus olhos e quanto de profundo é o lago de teus sentimentos... A floresta de teus sonhos, mesmo sombrios, e os cheios de música também... A pradaria do teu peito... E os sinos brilhantes do teu riso... Surpreso?... Não... não houve mal algum... nem medo que não fôsse o medo de pisar cedo demais na seda da tua alma... e lá aninhar-se com fúria e propriedade... antes que tu pudesses de bom grado aceitá-la...

Sim... a fera também não o quis... agora... mesmo que tenha se visto tentada... ela sabe aguardar...

Não há problema em sentir-se mal... em sentir falta... até mesmo em sentir culpa... Está tudo bem... Essa que está ao teu lado, em carne, e segura-lhe a ponta dos dedos frios... veio com intento de ficar - mesmo que tu andes pelos vales da solidão - envolta no amor que cultiva por ti... te segue... Ainda que tu desprezes andar de mãos dadas... e queira ir só com este fantasma que convocas... Ela não desistirá de ti... Tu dizes ao vento: "eles é que me abandonam" mas esse coração rubi que te persegue, retruca: "tu me aplica a política do distanciamento gradual... já vi isso, por outros olhos... não... dessa vez eu estou preparada... não, desta vez tu terás que dizer com todas as letras, se quiseres que eu me vá"...

Tu pensas proteger ao negar... Tu pensas cumprir tua pena ao sofrer... Tu pensas um dia ouvir o perdão se perderes tudo em nome de igualar-te a outra que tudo perdeu... É isso mesmo que queres, chaveiro?... O que deixará aqueles que ficam, por ti?... Em nome do que o fazes? E se tu estiver profanando o descanso dessa alma... formando de memórias e mágoas esse espectro emulado... E se esse alguém já te disse "adeus" e te perdoou na linha branca, soleira do intangível, e se foi?... Por que colocas tanta maldade em um véu de finitude, hm?...

Ah... te digo, chaveiro: a única dor dela é saber o quanto te demoras a romper aqueles grilhões.. Por que? - te perguntas... Veja... A benção maior, tu a tens... O ar, em teus pulmões... Há campos se florindo ao teu redor... e o Sol nasce para ti, te chamando manhãzinha... e o que há de doce, está na palma de tua mão, ao alcance dos teus lábios... Que tal abrir a porta do amanhã, ao invés da de ontem?... Talvez não haja mais o que buscar lá, entendes?... O tempo nos leva e só o que temos é o hoje e a preparação do que colheremos, então plante hoje teu caráter, faça hoje teu gesto de amor, reveja de hoje tuas atitudes, cativa hoje teus amigos... Não te enganes... Não mexemos no passado - eu já tentei...

Dobras de tempo... Silêncio... Palavras que vão e voltam, sibilando ternamente, equilibradas num tênue bailar de cordas vocais sufocadas... Palavras em resposta onde queria-se somente... confiança... e aceitação... há quantas luas?... Palavras... navegando vazias dessa praia até tua rebentação, chaveiro... e ela, que escreve em areia macia, sabe, não se importa, não se deixa enganar... tu as lê... e se preferes retirar-te, ao invés de nadar em sua direção... ou mandar a ela garrafa cheia só de letras tuas para ela saciar a sede, ela perdoa... e com a mesma dedicação... volta a caminhar, em paralelo... sem odiar-te... ou esquecer-te...

A pequena fera se deixa dormir... e acordar... se deixa abandonar... e voltar ao teu colo... se deixa caçar a comida pro seu dia vasto e silente... e seguir teu rastro ainda quente... ela sabe o que tem... e o que deseja ter... e mesmo que não a alimentes... descobrirá o quão persistente... essa pequena fera é...


I know that life ain't always good to you.
I've seen exactly what it's put you through
Thrown you around and turned you upside down and so you
You got to thinking there was no way out
You started sinking and it pulled you down
It may be tough you've to get back up
Because you know that life ain't over yet
I'm here for you so don't forget
You can count on me
Cause' I will carry you till you
carry on

Anytime you need someone
Somebody strong to lean on
Well you can count on me
To hold you till the healing is done
And every time you fall apart
Well you can hide here in my arms
And you can count on me
To hold you till that feeling is gone

I wonder why nobody's waiting on you
I'd like to be the one to pull you through your darkest times
I'd love to be the light that finds you
I see a silver lining on your cloud
I'll pick you up whenever you fall down
Just take my hand and I will help you stand

Because you know that life ain't over yet
I'm here for you so don't forget
You can count on me
Cause' I will carry you till you carry on
Anytime you need someone
Somebody strong to lean on
Well you can count on me to hold you till the healing is done
And every time you fall apart you can hide here in my arms
And you can count on me to hold you till that feeling is
Gone so you can live today
Seems so long to yesterday
Keep on counting on me to carry you till you carry on
Carry on

You know that life ain't over yet
I'm here for you so don't forget
You can count on me cause I will carry you till you carry on

Anytime you need someone
Somebody strong to lean on
Well you can count on me to hold you till that healing is done
And every time you fall apart
You can hide here in my arms
And you can count on me to hold you till that feeling is gone
Remember life ain't over yet
I'm here for you so don't forget
That you can count on me to hold you till that feeling is gone
Remember life ain't over yet
I'm here for you so don't forget
That you can count on me to hold you till that feeling is gone.

[Count on me, by Default]

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

... vácuo...



Aw, Superman,
Where have you gone?


[Superman, by Bush]


Me acostumei com tuas palavras... então... agora elas me fazem falta...

Talvez seja como Saint-Exupéry disse... "tu te tornas responsável por tudo aquilo que cativas..." Por isso... eu espero... Leio o mostrador vazio de um celular... Me jogo na rede, a puxo de volta - nenhuma nova linha balançando de novos bytes... precioso alimento a reluzir... 010010110001010... não... não me deixastes nada...

Fecho os olhos e me deixo pensar... "talvez tu tenhas me respondido só com o vento... um pensamento teu... vagando por aí... sem que eu tenha encontrado..." Sim... isso é bem próprio teu...

Mas eu me acostumei com tuas palavras...


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

... please, have a nice day, even so...



A piece of glass
In the sand under your feet
It cuts you deep
And makes you hate the beauty
That you see
And you wonder where you are
How you ever got so far
Now you question what went wrong
It's your heart

It's raining again
There's a dark cloud
Over your head
It follows you 'round
It's bringing you down
It's raining
It's raining again

A wilted rose
Your decay is all you see
You buy the flaws
And miss the beauty
That is yours for free
Realize you are so far
From the things that matter now
And you only wonder how
It's your heart

It's raining again
There's a dark cloud
Over your head
It follows you 'round
It's bringing you down
It's raining
It's raining again

Come on
Come on get it right
Come on
Come on make it right
Come on
Come on it's alright

It's raining again
There's a dark cloud
Over your head
It follows you 'round
It's bringing you down
It's raining
It's raining again

It's raining
Raining again
There's a dark cloud
Over your head
.


[Raining again, by Staind]

É, isso é para ti... ( e para qualquer um, que como tu, também tem nuvens de chuva na cabeça...)
É teu direito, tu sabes que já te disse isso...

Mas hoje, além de tudo, vê lá fora?... Sim... Chove, está tudo cinza... E minhas poesias todas tendem a se encharcar e rasgar, como páginas velhas e desbotadas de jornal, que por acidente, foram lavadas pela garoa...

Cores amareladas e sujas... parecem coisas perdidas de nossas avós... calçolas sem uso e rendas partidas... Lá fora, barulho de bocas de lobo engolindo pequenos córregos... tilintares... o velejar dos carros no fino mar... as manchas nacaradas de óleo no meio-fio... (por que meio?)

... E eu... apesar de tudo isso, (também) só consigo sintetizar: que bela merda de dia!...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

... passos apressados...



I never know... how... when... what... so?...
May be you too, will never know...

Corro e passo aqui, espio letras, corro,
pois adiante,
creia-me, no próximo instante,
sei que fico por mais tempo e socorro
nossas urgências de amante,
mas então, só por esta fração,
verto de mim doce, a ti me escorro,
digo que fabulei sobre nós, sim, tu, distante,
que só emudeço porque mudo é o coração,
que tudo sente, a que tudo tange,
e assim me afasto, sei, tratante,
desse afeto e dessa teia que é, ante
tudo e todos, e nós, simplesmente
humildemente
oração:

ó Mundo que tanto roda, errante,
não leva de mim a quem deixei... tão importante...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

... silêncios e oferendas...


I want you to remember...
A love so full it could send us all ways
I want you to surrender...
All my feelings rose today!

And I want you to remain...
The power of children can amaze
I'll try not to complain...
I know that's a pisser baby!

The chemicals between us
The walls that lie between us
Lying in this bed
The chemicals displaced
There is no lonelier state
Lying in this bed

I want you to remember...
Everything you said
Every driven word...
Like a hammer fell to my head!

The chemicals between us (...)
Lying in this bed (...)

The chemicals between us
The chemicals between us
Chemicals

The chemicals between us


[The Chemicals between us, by Bush]


Fim de semana revigorante... O Sol, você vê, não se foi... - ele ficou para nos aquecer, todos juntos, naquele quintal verde...

O quanto posso simplesmente me deixar ficar ao teu lado, sem nada mais?... sem sequer te olhar por mais que uma fração discreta e moralmente correta de segundo... Você nota?... Sim... Eu sou uma pessoa desalmada. É uma contradição que também me fascina: como posso sentir tão intensamente e, de um instante para outro, como consigo estar tão solta e vazia de tudo sem sentir dor alguma, como tenho a frieza de deixar passar, de perder?! Por que jamais me permito gritar, ou soluçar, ou pedir? - espere... fique... volte... me diga de novo...

Isto significa que minha vó estava certa e que sou venenosa e ruim?... ... ... Tsc... Não, não tema - eu não creio nisto... Hm - a pobrezinha confundiu tudo... anos depois, ela mesma retirou essas palavras... Porém... elas sempre voltam... - as dos meus pais também... Tenho muitas palavras que se erguem de seus pequenos túmulos, lá no fundo de minha memória, e transitam, sem serem chamadas... os zumbis dos filmes de terror jamais são esperados, também... Elas trazem junto - e não deviam, é disso que tenho mais horror! - aquele mesmo gosto de fel e sangue, aquela tristeza muda e consolada de criança, simplória. De repente... anos recuam... De repente, sou pequena e abandonada de novo. Tão indefesa e ferida. E tão desgastada, ao mesmo tempo - como uma menina pode perder as cores assim?... Deixei meu sorriso aos pés do meu pai, um dia de domingo... Lembro a janela do sobrado, a calma bege e cáustica de um cálculo - "não presto... se eu me atirar daqui... e morrer... eles ficam em paz... eu fico quieta... tudo termina... será?" Tampinhas de metal dentadas marcando-se no meu antebraço muito branco, a cor, quase leite, enfeitando-se de pequenos círculos raiados, como sóis vermelhos em destaque... Ah... Essa pequena cobra... esse ser voluptoso... essa filha traidora que sou... Ou não?... Depende tudo de como vês...

Não se abale com nenhuma dessas palavras... São confissões que exorcizo pelas grafias dessas letras - falar disso faz com que isso perca poder sobre mim... E se lembro agora... qual foi o nexo?... ah, sim... lembrei... a vida eterna das palavras... a minha insensibilidade mórbida às perdas... e minha grande capacidade de procurar sempre a tentação mais perigosa... talvez, como naquela música, eu goste de flertar com o desastre... Não sei... Por que não me explica? Você sabe?...

Não era sobre isso que vim escrever... Não mesmo... É que se tornou minha rotina reler tuas palavras... Como quem volta e volta de novo, milhares de vezes, para rever uma tela. Cada vez sob um olhar diferente. Redescobrindo. Aprendendo. Extraindo novas sensações. Saboreando. Quero te dar esse segredo meu.

Me conforta... Teu calor através desse símbolos alfanuméricos, me afaga e me enlaça... Assim, suporto não poder correr em tua direção... E estar aninhada sob tua mudez... Não preciso, realmente, que digas nada... Assim mesmo, quero que me contes tudo. Tudo até onde puderes e quando não mais, como um orgasmo seco, que vertas as ondas da tua alma, aquilo que nem mesmo tu sabes de ti, para mim... Não menos. Não mais.

As vezes tu me preocupas... Teu espírito transita por um mundo de fantasia, e sei como é encantador estar por lá... Mas apesar disso, sim, sei que é cinza, frio e pouco poético - tu és daqui, sangue dessa terra que não nos merece, mas que nos pariu... O céu e as estrelas também são nosso lar... nossos irmãos... Não faz mal se sentir assim... Não faz mal abandonar tudo um pouco, rejeitar essa mequinhez e voar... Mas... Lembras sempre de voltar, está bem?... Pois eu tenho uma terrível propensão a flertar com o desastre...

As vezes tu não tens idéia de quanto meu peito fica pequeno... Sinto como se fôsse explodir, como se não houvesse como mais guardar isso, sentimento e felicidade, como se essa coisa pudesse criar matéria e luz e nascer de entre minhas costelas, num fluxo, quente, bom, interminável... Minha respiração fica estranha... E meus olhos se perdem... Tenho impressão que estou leve demais para pisar no calçamento - e se algo me arrastasse?...

Parece que preciso gritar e gritar, o mais doce que puder, com todos os gemidos e sussurros, com a canção mais bela que pudesse: te a--, te a--, te a--! tantas e tantas vezes, até que cada palavra já tivesse perdido seu som e saísse de mim em cores e pulsações... tantas e tantas vezes que eu teria medo de desgastar-te, de lavar-te como rio terrível, que escava a pedra mais dura até torná-la areia e arrastá-la consigo, inexoravelmente, pela eternidade... tantas e tantas vezes que exauriria de significados essa pobre palavra...

"amor"...


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

... closer...



Watch the water feed the soil
so the circle is complete
See what you have become
is the earth beneath my feet
Are there any stains
on your alabaster feet?
What's the space between
what you want and what you need?!

So you'll never be lonely again...
Never be lonely again!

Waiting for this love
To bring me close to you!
Waiting for this love
To bring me close to you!

Who are you
and where are you in my life?
I was wondering
how much of me is still alive?
I don't even know
if I can swim again...
You know how cold we get
with all your struggling!
Try to find ourselves, see what is real
It gets so hard at times
to know just what to feel...

Never be lonely again!
Never be lonely again!

Waiting for this love
(...)

I got reasons
I got reasons
I got reasons
I got reasons!

(...)
Try to find ourselves
see just what we have made...
Tell me what you want
and what you have betrayed!
Home is still the place
that we love the most...
Home is where you are...
Home is where you are!

(...)


[Reasons, by Bush]

My Engine is with you... como eles também cantam... Um fim-de-semana extenuante, fisicamente, mas que de forma alguma eu desejaria diferente...

Amigos... Bobagens... Álcool... Novos conhecidos... Dormir tarde... e pouco... Mas tudo bem...

Na minha memória, ficou você...
Flor soprada de vento, singela e rústica... misteriosa andarilha dos leves caminhos... assombração... visagem... simples... crua... Que encantos me guardou para o próximo reencontro?... E que palavras forçou-me a engolir, um dia será o dia de dizê-las para ti?...

Confissões atrapalhadas... na pressa... Quanta coisa se perde e se ganha com tamanho improviso... Te dar o Mundo tornou-se dar-me para ti frente ao Mundo...

E no cinza dessa tarde lenta e manchada de revoadas de idéias e sentimentos que escoam e correm com a chuva, bueiros e bocas de lobo - teu sentimento... de repente!... quão mágicos são esses símbolos que conjuram a fala a distância e traduzem pensamentos - abençoado seja esse alfabeto que me trouxe tu!...

Assim me despeço desse dia... já é noite, Deus, e como quis te rever!... guardando nesse peito tão insone a conquista... Enterrando a chave dessas lembranças, como tesouro sutil e caro, no mais profundo da minha memória, quase incrustada a minha alma...

... pois um pouco dela é tua... e isso é muito, isso revindiques e me faça voltar a ti, tantas e tantas vezes, não importa, e que venha a mágoa ou o ciúme, nada disso, tolo e fútil, pode desgatar-te para mim...

amor... amor... terrível e sublime amor... aterroriza-me, mas cobre meu rosto de sorrisos, e o meu dia de luzes e música... que venha... que queime em meu peito... e dirija meus passos...

na tua direção...

terça-feira, 14 de julho de 2009

... coelhinhos rosa...



Imagine all the people
living life in peace
uhu-uhuuu...

[Imagine, by John Lennon]


Tem coelhinhos rosas no meu papel higiênico... Semi-acordada, fiquei olhando aquilo e finalmente me perguntei : porquê? É só um pedaço de celulose para sujar e atirar na lixeira...

Mas eu sempre o escolho na prateleira do mercado...

Sempre gostei de coisas bobinhas... E agora, procuro-as ainda mais... Quero cercar meu filho de carinho, de cuidado e alegria, mesmo que isso fique restrito a pequenos gestos, tolices... Penso agora, com um tanto de raiva pela impotência e angústia, que gostaria mesmo é de pintar sobre esse Mundo. Refazer tudo... de modo que cada coisa, cada detalhe fôsse tão bom quanto um sonho meigo...

Queria poder oferecer a ele um Mundo diferente - um Mundo encantado, cheio de maravilhas, onde pessoas são realmente puras e heróicas, e onde os vilões são facilmente identificados e tem sempre o que merecem... Onde crianças podem brincar. Onde todos podem viver felizes para sempre...

Gostaria de estar nessa realidade, em que só pela minha vontade, pudesse arrancar do peito dos que amo tudo o que lhes aflige e os deturpa... Que eles pudessem sorrir mais. Que fôsse claro como uma estrela-guia o caminho para que atingissem seus sonhos mais brilhantes...

Um Mundo que fôsse justo e digno... Limpo... Belo... Cheio de música, árvores e céu ensolarado... Pandorgas... Dentes de leão no vento... Gatos pretos nos muros... Príncipes e princesas... Um lar...

Eu aqui, no frio dessa madrugada, queria te dizer que torço por ti, e que estou contigo... mesmo não podendo simplesmente te dizer o que fazer, porque nem sequer eu tenho certeza, nem podendo iluminar aquilo que te tem sombreado...

Seria tão bom, com o som da minha voz, espantar teus fantasmas...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

... mensagens mágicas...


Pela janela do metrô, fui atravessada por um dente-de-leão...


A semente veio planando muito suave e captei o movimento levemente ondeante pouco antes dela pousar... Descansou no tecido preto da bolsa sobre meu colo... E ficou ali...

... Só há uma pessoa neste mundo cuja lembrança poderia ser invocada por esta flor...

E sorri.

Sorrio achando mágico este mundo de coincidências...

Me peguei tentando adivinhar:

"Será que ela está pensando em mim, nesse instante, também?"

... pedaços nossos em cada coisa que há...
- uma só coisa...


Oi, boa-noite... espero que estejas bem... não, mais: espero que estejas feliz...

- algo deste Universo estará levando esta mensagem até você?...

... o tato vazio...


Hoje, minha mão se fechou várias vezes... vazia...

A princípio reagi com curiosidade...

Havia uma sensação... A falta tangível - já sentiu? - uma ausência que se sente com o tato cheio...

E então, ao me pegar alisando algo, por impulso, eu tive a resposta - assim: bingo!

Minha palma, meus dedos,
sentem saudade de teus cabelos
escorrendo entre eles...

Consigo, com certa concentração, relembrar na pele, como um fantasma, a textura e o ritmo dos fios...

... sem o mesmo efeito.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

... colar de pérolas...


Há coisas reservadas só para nós ao longo do fio de nossa vida... como pérolas num barbante...

São esses momentos em que sentimos forte quem somos, e nos é dado tocar o que queremos - que o pulsar de nosso coração, de nossa alma e dos nossos pensamentos brilham e harmonizam...

A nossa hora...

Uma conta, jóia rara, extasiante, numa jornada de forças, de hora-a-hora, de passos... O conto de nossas vidas, ali, sai da rotina...

e se torna
...

sagrado...

único...

épico...

ou lírico...

Será que para você também?...


I'm not asking for much,
I'm not asking for anything.

I won't waste a moment,
I won't waste a moment with fear.

We're alone or self-anaemic,
But sometimes we win...

[Waste a Moment - by Fightstar]

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

... meu fio listrado de Moira...

Tem sido um ano de estranhas e extremas contradições...

Recebi de volta meu cachorro... Sim... apesar de meu, estava sendo criado pelos meus pais... E ontem, eu o dei para uma nova família... Amei e odiei ele estes dias de convivência desacertada... Ele me abriu sorrisos... e também me fechou a cara, enraivescida... E ontem, eu chorei e sorri ao me despedir dele... ao conhecer sua nova "mãe" adotiva...

Anteontem, quando recebi a notícia, primeiro senti um grande alívio... Tudo se resolveria. Encontrara o lar ideal para ele: muitos cães para companheiros, uma criança para brincar com ele, adultos capazes e carinhosos para cuidá-lo, idosos que o tratarão com mimos para os longos momentos de soneca - nunca mais sozinho... Um pátio verde para correr - nunca mais trancado... Teria novamente controle de minha vida, da limpeza do meu apartamento... e principalmente: ficaria a salvo de um eminente motim dos vizinhos e da anunciada multa que chegaria por baixo da minha soleira...

Então, antes de dormir, chorei... Chegando em casa, no silêncio, na falta daquela peruca de quatro patas pulando e ganindo, quase perdendo o rabo, fui visitada pelas lembranças... Fazem 7 anos que eu o trouxe para nossa vida... Ele tomava banho em nossa banheira... E se acomodava em cima da gente para ver TV... Cresceu com meu filho... Gostava de brincar de pegar... Pulava como um coelho... Subia nas mesas e se esnroacava nas pernas da gente como um gato... Viajava um dia inteiro no carro, aos nossos pés, esperando chegar na praia... Dividia o palco como ator dos causos mais contados pelo meu pai, junto com meu filho... Era companheiro... Sabia ficar só de lado, reparando em sua família... Aprontava algumas malcriações, de criança cheia de birra... E percebendo que aquela sexta passada foi a última noite que ele dormiria ao lado da minha cama, querendo tanto fazer as pazes... que eu havia negado, porque tínhamos brigado pelos mesmos motivos de novo... eu engasguei em lágrimas... Me veio a memória daquele choro tão triste dele, preso do outro lado na gaiolinha do hotelzinho, beijando meus dedos em desespero enquanto eu tentava convencer a nós dois que isso era o melhor... E eu também, tive um pranto alto e sofrido, como o dele, madrugada a dentro, até estar tão cansada que o sono apagou-me...

Tantas distâncias nesse novo ano... Felicidades em saber que meus manos se mudariam para um espaço maior, uma nova vida, melhor acomodados, pertinho de tudo... Tristezas em entender que ficaria mais difícil vê-los... que nossos churrascos, e chimarrões, e piqueniques, e filmes com pipoca ruim, ou longas sessões no JK movidas a cerveja, smirnoff ice, winamp, guitar hero e you tube ficariam mais esparsos...

Uma dorzinha aguda aqui no peito cada vez que cruzo perto daquela esquina, que antes me deixava tão radiosa... E uma satisfação enorme em ajudar a fazer a mudança, aparafusar gavetas e instalar varetas para as cortinas...

Também meu filho está longe... Pela primeira vez desde que nasceu ficamos mais de duas semanas separados... A princípio, ele curtir a praia e eu curtir independência nos deixou bastante à vontade e felizes... Mas, há duas semanas atrás, o escutei chorar no telefone... Não tenho mais apetite. Nem sono... Não tenho mais prazer em voltar para casa, me deprime todo este espaço não preenchido pelo som das brincadeiras dele, de algum resmunguinho, ou de uma meiguice... Me deprime não vê-lo tranqüilo enroladinho em seu lençol... Ou cheirar o cabelo dele no elevador... Dizer nossas piadas bobas... Cobri-lo de beijos e mordidas escutando estourar de rir... Até mesmo ter mais tempo para minhas atividades... ou mais liberdade com os horários, mais facilidade para ir na casa de amigos ou no cinema... nada disso tem mais graça, o sabor que resta no fundo da boca é um fel forte e intragável... Me falta o que me completa... a melhor parte de mim... o grande presente que Deus me concedeu... O tijolinho que faltava na minha construção, como gosto de cantar prá ele...

A saída de minha chefa para suas férias também revolucionou minha rotina... No meu trabalho fui posta repentinamente numa função de gerência... Foi uma grande honra... E também está sendo um pesadelo... Aprendo muito... E as vezes gostaria de mandar à merda todos e ir embora... Notei defeitos que não deveria ter em mim... Senti que tenho muita força apesar do cansaço...

Não só isso... no entanto. Faz alguns meses me descobri sentindo o que não sentia há anos... Apesar do sentimento estar tão presente, não posso envolver a mim e a essa pessoa... São as circunstâncias... É minha escolha. E desde então vivo de um amor que me abrasa, mas cujo calor eu escondo de quem o acendeu... Me sinto mais correspondida do que jamais pediria. Isso ilumina meus dias, acompanha-me quando baixo a cabeça...

Porém, certas noites, invejo àqueles simples que podem gabar-se de estar sob o mesmo teto que seus amados... A eles é acessível a todo instante o abraço necessário, a cura de uma voz amiga, ser o alvo dos olhares e intenções... Poder abrir os olhos de madrugada... e mirar um outro rosto, descansando ao lado... ou espionar seu vulto insone ocupado em algum assunto... Tão banal, pequenos prazeres que os casais talvez nem prezem o suficiente... Basta a presença. Até mesmo aquela furtiva, com hora marcada, apressada, daqueles que só tem a mesa do almoço, ou um espaço apertado no metrô, um breve momento entre a espera e a chegada do ônibus na estação, na parada...

Com todas essas limitações, é um grande contraste saber que esse sentimento, da minha maturidade já deconfiada e arranhada, do meu romantismo vituperado, da minha inércia nos sabores da solteirice, é mais digno e merecido que tantas pseudo-relações que tive, iludida por alguma bela promessa, alguma ilusão de conhecimento... Que menos e mais suaves demonstrações de nossa união não tiram dela a essência, a certeza, a intensidade.

Sim, a cada recomeço, reflito sempre sobre o que fiz... e avalio...

Tem sido um ritual... Traçar rotas... Fazer ajustes... Este ano, se inicia com colisões de extremos. Inesperados. A vida raramente é o que a gente quer... A maior parte do tempo, não atende nossos planos... Não sai conforme imaginamos que haveria de ser...

E mesmo assim... devemos colher dela a maior beleza possível...

domingo, 16 de novembro de 2008

Onde posso descansar... É só o que quero...

Aqui escutando "While my guitar gently weeps" regravado pela banda Powderfinger, coleto meus pensamentos dos últimos meses... São demais, sabe, para colocar aqui, até mesmo aqui...

Minha vida tem sido a de um camaleão, constantemente mudando de ambientes e procurando adaptar-se. Mais que isso: sempre tentando atingir a perfeição. E como isso cansa... Não é fácil.

Mas, aí está o segredo, eu tenho parceiros de caminho. E por mais que eu ande por vales ou por montanhas, eu os levo. Aqui dentro. E quando a saudade aperta demais. Bem, eu sempre volto. E então é como um viajante que passou semanas no Saara, ser acolhido nas bençãos de um oásis, banhar-se, beber até saciar-se, ter seus pés untados de óleo perfumado, e ser vestido com roupas limpas por mãos carinhosas. Mais que isso: escutar aqueles risos que lhe enchem de alegria, aquelas vozes que falam fundo ao seu coração e onde ele sempre encontra o sentido de tudo.

É onde está a perfeição.

É uma perfeição assim, de um jeito bastante falho, mas é aquela que podemos reconhecer com todos os nossos falhos sentidos.

Ontem falei contigo.

Sinto ainda aquela ternura de lar.

É tudo que uma guerreira cansada poderia pedir.


Now playing: Staind - Believe
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