sábado, 22 de novembro de 2008

... destroços seus... [New Edda Arch]


[New Edda Arch ~ texto 6,
para acompanhar o arco, ler tb
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Recostou-se na cadeira de espaldar alto, sentindo o veludo quente e lascivo acolhê-lo. Bufou. As paredes repletas de livros velhos emanavam para ele o cheiro de lar. Fechou os olhos. Sentiu os músculos do outro, fibra a fibra saturadas, movendo-se, ainda, continuando aquela peregrinação obstinada e insensata. Sentiu-lhe o coração. Mudo. Tão mudo. Franziu o rosto e retirou-se dele. Medo? Talvez sim, talvez tremesse como agora do terror de um dia ser contaminado por aquele vício...

Mesmo sem mover-se de Midgard, Zero não perdia de vista os passos de seu descendente - Ash... Ou, como ele prefere: Fenris'úlfr. Antes chamava-lhe por aquele número: Sete. Era seu código de batismo nos CANNIBALS: P.A.#7, em honra ao número de experimentos que, como ele, haviam sobrevivido até maturarem o suficiente para serem libertos do ventre artificial... Bem, isso é outra história. Até porque, aquele exemplar em especial era diferente. Em muitos sentidos.

Por três vezes já tivera que intervir indiretamente para que o cretino não se suicidasse cegamente, brandindo armas contra os tais Weapons. Não havia ainda como ajudá-lo, e ele já lhe avisara disso em tantas ocasiões que perdera a conta. Mas sua paciência tinha se esgotado. Suas palavras não surtiam o efeito que esperava e só lhe restava uma opção. Drástica.

Fixou a íris vermelha como sangue fresco nas palmas de suas mãos, tão pálidas. Sorriu. Era uma careta de triunfo, mas em ninguém inspiraria glória. Calafrios, isso sim, você teria se pudesse vê-lo tão satisfeito.

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O caminho poeirento seguia. Destroços de tempos em tempos, como uma partitura gasta e lenta. Testemunhas de todas as batalhas perdidas, do Mundo que fôra derrotado, e mesmo assim, prosseguia. Estava caído ali, há algumas horas. O sangue escorria das muitas feridas, empapando o uniforme cheio de falhas. Sim, seu companheiro de nascimento não tinha forças para se recobrar e entrara em standby. Uma poça singular espalhara-se como um halo o redor de seu rosto, por ali vazava o que tinha dentro. E era quase bonito. Entende?, havia uma rara beleza na forma como seus membros tinham se disposto, e suas cores, o negro recoberto por tanta sujeira como uma camuflagem, e os salpicos vermelhos enegrecendo o solo duro e seco ao seu redor.

Como um lago que fôsse agitado pelo pousar de uma libélula, o ar dobrou-se em círculos e deixou passar a figura pequena, recoberta por longos panos. Ficou ali de pé. O cabelo branco, soprado aridamente.
- Você não aprende... Eu deveria descartá-lo e deixar aí prá que morresse... Prá que continuar com isso?... Huh?... Você seria mais útil vivo...

Do quase inconsciente, o Assassino escutava, impotente. Tinha muitas coisas a dizer. E nenhuma, ao mesmo tempo. Forçou seu pensamento para chegar em Zero: "Me ajude a levantar... Preciso... Ir buscá-lo... Preciso... ajudá-lo... Nós... ainda precisamos... deter..." E o Mundo preteou num instante de desespero profundo.
- Que desperdício...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

... três palavras caladas... [New Edda Arch]


[New Edda Arch ~ texto 3,

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Um pôr-do-sol com cor de madeira abatida... A muito custo, fizeram o rapaz sob aquelas roupas imundas parar. Sangue foi cuspido - também alguns dentes - palavrões e pescoções. Aquela rápida janela era tudo que tinham para alimentá-lo - um mínimo, que ele aceitou sem apetite - e empurrar-lhe água. Os jovens do destacamento impressionavam-se com o estado catatônico, enfraquecido, daquele homem que lutara contra a Shinra, que resistira ao ataque de Jenova. Os médicos que acompanhavam a expedição não tinham palavras para explicar como aquele homem resistira naquele processo de auto-flagelação. Agarraram-lhe à força, quando Ash tentara negar-se a receber tratamento. Subjugaram-no sob grosseiros protestos - mais bufos e uivos que palavras - e golpes, outra vez... e assim ele dormiu - a primeira vez em nove dias...

... até que enfim, as falanges, sem garras, cuja carne vive colava-se à malha pelo pús espesso, recebiam algum bálsamo e bandagens. Suas feridas foram lavadas por mãos esterilizadas em luvas bastante profissionais e neutras... A Shinra era agora sua enfermeira - mas ele não desejava ser seu paciente.

Fato é que não puderam detê-lo... Tão logo reganhou controle das pernas, afastou da mente o peso do sonífero, e lá estava ele, de pé, hora a hora, em claro, comendo só o que levassem à sua frente. Em meio a um batalhão de braços, pás, betoneiras e macacos hidráulicos, robôs de mineração e grandes máquinas, lá estava o Assassino. Lado a lado nos trabalhos mais difíceis, à frente dos mais perigosos. Mergulhando nas fendas instáveis para instalar as vigas de sustentação, para levar as cordas, para testar a segurança. Incansável. Cavando. Dia e noite. Obstinado. Retirando toneladas de ferro e cimento cada dia daquela enorme ferida que fôra Corel. E, como se transplantasse aquele entulho para dentro de si, cada ciclo de 24h achava-o mais encardido, mais sombrio, mais duro, mais exíguo de vida...

Acostumaram-se a vê-lo perder toda a sanidade e com um grito rouco, sem palavras, livrar-se daquela humanidade vilipendiada até restar tão só aquele monstruoso animal de olhos brilhantes e pêlo de noite eterna. Mas, apesar do aspecto medonho, não mais tremiam ao vê-lo, raspando concreto com a ponta dos ossos esfolados: aquela evocação das fábulas de infância mais terríveis tinha um coração - e esse seu coração estava se apagando em febres que nada tinham de homicidas. Podiam sentir sua dor, podiam ler no seu olho arregalado, a fúria inconsolável por não achar sob aquela placa que entortara até cortar os lábios, aquele a quem buscava... Ouviam-no no meio da madrugada, no trotar incansável de sua teimosa fé. Cheiravam-lhe os pêlos tostados nas brasas ainda vivas do ventre profundo daquela cidade morta.

E o que acharam após semanas de intenso esforço?... Duas pequenas amostras de que "ele" estivera realmente ali. Um recorte esgarçado de tecido, reconhecido pelo rosto transtornado de Ash, após farejá-lo até as lágrimas. Um pedaço de metal retorcido que fazia parte do coração ronronante de Fenrir, também atestado por ele - ele, que se afeiçoara tanto a ela. Rolou a peça muitas vezes pelas mãos, tocou com ela seu coração - o som do motor, a voz de Drako sentado à sua frente, os cabelos loiros jogados pelo vento contra a pele do seu rosto, risos, planos, palavras de cuidado - como se assim os dois órgãos pudessem trocar uma despedida. Deitou sua testa contra ela e a entregou.
Beijou a malha enegrecida que fôra vermelha. Sussurrou as únicas palavras que jamais falara em sua curta vida. Só três. Jamais lhe ocorrera resumir tudo aquilo numa frase - mas desta vez a voz lhe traíra, baixa e engasgada, rouca, sofrida. Não fôra premeditado. Sem a olhar solta ali, em sua palma, a entregou...

"Nenhum amuleto para que eu tenha um falso sossego", pensou. Só legou àquelas pessoas após ter ouvido delas a promessa jurada de que entregariam as duas relíquias à família de Drako. Sim. Àqueles que ele também abandonara. E pela primeira vez num mês, ele se atinou do que fizera. E de que estivera traindo o futuro que Drako lhe sonhara. A vida que teriam quando sua luta terminasse.

Problema que ela não havia terminado. Estava apenas começando...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

... carne e pó... [New Edda Arch]

[New Edda Arch ~ texto 2,
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Tão logo acionou os motores da aircycle sangrou o céu no fio reto e agudo de um só golpe até Corel. O peito ainda estava incendiado. O ar ainda faltava. Mas nada o detinha. A pele branca manchava-se das cores de um poente doente. Ar rebocado de cinzas. "As cinzas de nossa Utopia..." ele pensou, amargo. Custou-lhe manter-se como homem e soldado: sem entregar-se à facilidade do choro.

Pústulas encandescidas abrindo-se na água salgada, revolta, abaixo. Navios vagando erraticamente, incediados pelos terrores que agora vagavam à vista de todos. Vieram, pensava ele, para limpá-los da superfície deste Mundo.

Ao longe avistou o túmulo fumegante do que fôra Corel...

No mesmo instante foi fulminado pela dor de todas as suas perdas. Aquele inferno de magma e chamas crepitantes, de gigantestos braços de fumaça erguendo-se ao céu, de imensas feridas rachadas no lombo do Mundo, é também, ao olhar trêmulo do Assassino, a férrea negação de um futuro. O futuro que tinham sonhado construir com seus sacrifícios...

Andar naquelas ruínas era por si só uma proeza. Gargantas de fogo e abalos. Calor e tanta fuligem no ar que empedrava-lhe os pulmões resistentes e o derrubava constantemente em tosses longas e asmáticas. Um chão sem nível e cheio de sumidouros, pontas, cravinas. Corpos. Não. Pedaços irreconhecíveis de corpos. Como papel rasgado, por toda a parte, inseparáveis do pó de cimento partido, das veias retorcidas de canos e fiação, das migalhas inúteis de tanta coisa que um dia tivera valor. E as recordações... Sim.... haviam armadilhas não só no chão onde pisava. Precisava conter as ondas insistentes de imagens que sua memória lhe trazia, como uma criança que não consegue impedir-se de abrir aquela velha caixinha de música - a que lhe dá nós no estômago - e que não consegue correr, ou tapar os ouvidos por mais que queira gritar...

Restou sozinho naquele império da destruição. Cercado de todas as provas de seu fracasso. Cercado de todos os pesadelos. Rondou. Horas. Dias. Sem dormir. Sem comer ou beber. Seu descanso era ajoelhar-se e baixar a cabeça, só para repassar onde já havia cavado ou o que poderia usar para erguer uma viga. Tinha dores que não sentia. Suas garras caíram em algum momento do quinto dia. Hora quase homem. Hora lobo. Sem trégua. Sem misericórdia com seu próprio corpo ou com o olho que por vezes embestava de vazar lágrimas mudas.

A boca lhe secara e feridas estriaram seus lábios finos, acinzentados. Seu olho se encovara na escuridão de um poço profundo. Sim, talvez realmente os olhos sejam o reflexo da alma... A pele enchera-se de escaras, queimaduras e insetos. E ele... ele escavava. Chamava. Farejava rastros inexistentes. Empilhava cadávares. Pedras. Pilares. Pequenos toquens que haviam pertencido a alguém: um ursinho, um pente quebrado, um balde de lata.

Seu vulto já mimetizara-se à paisagem em cores e texturas. Pior. Seu coração havia absorvido o abandono e o silêncio desolado e indissolúvel daquela gigantesca, hedionda sepultura.

Quando finalmente, na segunda semana, a robusta Airship da Shinra Corp aterrizou, o rapaz conhecido por Ash ganhara direito a este nome. Aquela figura imponente estava enterrada. Ao vento, diante de centenas de olhos, restava só aquela casca leve, suja e mutilada, de olhar baço...

... heranças em branco... [New Edda Arch]


[New Edda Arch ~ texto 1,

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Na luz mortiça, fria, do hangar no alto do prédio da poderosa ShinraCorp, tudo o que lhe cruzava a alma eram sons, estilhaços de memórias terríveis, cores em flashes. Tudo se passara rápido demais para que ele pudesse arrazoar qualquer coisa - ele se mostrara péssimo de improviso.

Cortou-lhe a confusão aquele talhe vertical e branco, de alto a baixo: Zero. Ergueu seu único olho, como a Lua amarela que se levanta do horizonte e sobe - encontrou a face albina, emulando um rosto de criança aquele serzinho...
- Ninguém está te mandando embora...
- Eu não disse isso. - retrucou, rápido e ríspido como um de seus golpes.
- Não podemos combater aquelas coisas... ainda... precisamos ant-
- Não te pedi ajuda.
- Ora-
- Nem permissão.
- Que insolente de-
- Me mate, se quiser me deter.
- Está cometendo outro erro-
- Não tenho como saber. Quem pode garantir? Hein?! Eu não roubei a Huge de Drako e olha tu-... É meu livre arbítrio, minha escolha.

Passa como uma sombra ao largo do jovem que lhe cedeu seu DNA, ou parte dele. Mas daí a você chamá-lo de pai do homem que anda como uma fera, ah bem...
- Estamos ligados, mesmo que tu pense que pode ser livre, Sete.
- Não me disse nenhuma novidade... - replicou muitos passos à frente, correndo o olhar felino sobre cada veículo estacionado.

Qual deles serviria para sua busca? Que o deixassem simplesmente voar dali. Não pedia nada além. Esquadrinhar cada pedra de Corel. Rastreá-lo. Achá-lo. Dar-lhe socorro. Deuses! Tivera ganas de se atirar da Airship em pleno vôo, quando simplesmente o ignoraram e zuniram direto a Midgard. Ele estava atrasado, irremediavelmente atrasado!
- Te chamo pelo teu nome... Fenris' úlfr!

Uma palavra. Sussurrada às suas costas. Um baque tal como se tivesse lhe partido a espinha! - agarrou-se como pôde à couraça de metal reluzente ao lado, viu nela seu reflexo, a máscara de seu rosto distorcida num estado de absoluto pavor.

Todos os músculos do seu corpo se contraíram, se fechando contra seu centro num nó cego. Era como se lutassem contra algo que vinha explodindo de dentro, que iria rompê-lo em pedaços, um halo crescente de napalm, uma rajada de estilhaços, uma supernova. Aquela coisa o arrastara para o chão, estava se alastrando, estava escavando seu espírito, infiltrando-se em sua mente, infestando cada fibra de sua carne. O coração, sobrecarregado, falhava e num solavanco intenso e torturante, tornava a pulsar. Puxava com ódio e medo, arrasado em impotência e desconhecimento, a figura daquele garoto, aquele rosto tão apático, no fio de seu olhar, no feixe de sua pupila quase fechada.
- Ah... vejo que agora tenho a sua atenção... É o fato. Agora, acha que sabe quem é?... Pese isso. - olhou com um desprezo cruel e virou-se, abandonando-o num passo devagar, quase um deboche - Pense que isso é meu presente de despedida prá você... Poder. Descubra-o. Você nem sabe como lutar ainda... Não passa de um reles pobre coitado, que imagina-se como os outros criados naquele laboratório... Não me decepcione... ... ... Prove que é digno de ser... meu filho legítimo.

E finalmente, o olho de Ashrann não pode mais acompanhá-lo...

domingo, 16 de novembro de 2008

Onde posso descansar... É só o que quero...

Aqui escutando "While my guitar gently weeps" regravado pela banda Powderfinger, coleto meus pensamentos dos últimos meses... São demais, sabe, para colocar aqui, até mesmo aqui...

Minha vida tem sido a de um camaleão, constantemente mudando de ambientes e procurando adaptar-se. Mais que isso: sempre tentando atingir a perfeição. E como isso cansa... Não é fácil.

Mas, aí está o segredo, eu tenho parceiros de caminho. E por mais que eu ande por vales ou por montanhas, eu os levo. Aqui dentro. E quando a saudade aperta demais. Bem, eu sempre volto. E então é como um viajante que passou semanas no Saara, ser acolhido nas bençãos de um oásis, banhar-se, beber até saciar-se, ter seus pés untados de óleo perfumado, e ser vestido com roupas limpas por mãos carinhosas. Mais que isso: escutar aqueles risos que lhe enchem de alegria, aquelas vozes que falam fundo ao seu coração e onde ele sempre encontra o sentido de tudo.

É onde está a perfeição.

É uma perfeição assim, de um jeito bastante falho, mas é aquela que podemos reconhecer com todos os nossos falhos sentidos.

Ontem falei contigo.

Sinto ainda aquela ternura de lar.

É tudo que uma guerreira cansada poderia pedir.


Now playing: Staind - Believe
via FoxyTunes

domingo, 17 de agosto de 2008

Aqui vai (again)... Z me passou essa praga, de novo, com novas perguntas, (um alívio):

- Amaldiçoar 8 pessoas.
- Avisar aos amaldiçoados sobre a maldição.

1 - Qual a sua banda preferida? Quantos shows dela você já assistiu?
Detesto essa coisa de favoritos, porque geralmente tenho uma penca... Vai lá: Linkin Park, The Exies, Silver Chair, Fort Minor, Adema, Deftones, Pink Floyd, Red Hot Chilli Peppers, The Beatles... puta, uma caralhada... Depende o dia, a hora. Nunca fui a show de banda estrangeira.

2 - Quem é o seu autor favorito? Quantos livros dele você já leu?
Novamente. Vários. No Brasil tenho 2 preferidos: João Guimarães Rosa (3 livros) e Érico Veríssimo (tb lembro de 3 livros). Para literatura estrangeira: Shakespeare (eterno! hmmm acho que foram mais de 5), Jack London, Saramago, Ítalo Calvino, Stephen King (tb uns 4 livros, não sei mesmo), Marion Zimmer Bradley (mais de 6 com certeza), Umberto Eco (uns 5, contando ficção e ensaios sobre estética e literatura), Ernest Hemingway, Arthur Rimbaud (2 livros).

3 - Acredita em vida extraterrestre?
Acredito em se ocupar com o que temos aqui e parar de buscar desculpas para fugir às nossas responsabilidades... Nossa Gaia precisa de toda nossa atenção, não há porque gastar tanto dinheiro e esforço se temos nosso Planeta tão desconhecido e tão maravilhoso bem junto e muito necessitado de nosso empenho para restaurar o que nós lhe fizemos. É infantilice procurar fuga nas estrelas.

4 - Cerveja ou coca-cola?
Nenhum dos dois - suco ou sakê, vinho, espumante, etc. Se tiver mesmo que escolher: cerveja, bem gelada e bem forte - Bavaria, edição especial Confraria, adorei essa.

5 - Sexo ou amor?
... Ai que enjoado isso. Guardo amor, é a prioridade. Demorei a aprender, mas hoje não gasto mais meu tempo caçando, sei o que é realmente que fica, o que me faz falta. Não vivo sem as pessoas que amo, mas posso viver sem foda. Até porque existem muitos prazeres além da cama a dois... ^ ~

6 - Chão ou parede?
Na parede é uma delícia... oO#

7 - Som alto ou música ambiente?
Muito alto e muito intenso. Acho que por isso adoro ir a clubes com os amigos!

8 - Signo preferido (exceto o seu):
Câncer. Eu tenho uma terrível queda por pessoas deste signo... é paixão à primeira vista.

9 - Quantas pessoas já beijou?
Seria um número decepcionante. Digamos que menos das duas mãos cheias...

10 - Com quantas(o) namorou?
Se for a sério: 1 única, com quem vivi, tive um filho e me arrependi enormemente (não do filho, bagual!). Tive também dois "casos" depois de estar solteira de novo, mas não gosto de dizer "namoro". Não deram certo.

11 - E quantas(o) amou?
... Não só esses três... Amo muita gente e meu amor é um tanto exótico. Tem muito erotismo no meu amor, mesmo com amigos e familiares (exceto os de sangue próximo demais)... Também tive vários amores platônicos. Ainda tenho, hoje mesmo, no mínimo 3 amores platônicos fora minhas paixonites familiares...

12 - O que anda ouvindo?
Um monte de mp3s que a mana e o mano me passaram, mais The Exies e chegados, Nujabes (muito) e Fort Minor / Linkin Park.

13 - O que anda lendo?
Atualmente: "Chryst The Lord - Out of Egypt" da Anne Rice, edição pocket em inglês, recém comprada. É uma ficção sobre a vida de Cristo, sua infância. Também lendo vários gibis: Nana, Berserker, Hellsing, Bleach, Seton, One Piece, Stephen King's Dark Tower, Fábulas (Pixel). E tenho gostado do que leio em Piauí, National Geographic. Zupi - maravilhosa, sobre arte!

14 - O que anda comendo?
Comida congelada, porque volto tarde do trabalho. No almoço, em geral, comida vegetariana (na maioria) ou lanche rápido. Adoro quando me permito comer no Du'Attos em POA.

15 - O que anda assistindo?
As Terríveis Aventuras de Billy e Mandy, Chowder. A Prova de Tudo, no Discovery. Filmes no HBO. Pânico, as vezes. Filmes redublados ma MTV. Adorava a série Em Terapia, mas terminou a temporada...

16 - O que anda fazendo?
Me estressando demais no trabalho. Pagando contas e mais contas. Escrevendo muito, experimentando estilos, efeitos, porque quero estar afiada para retomar meus projetos de livros.

17 - Ritmo, cor, fruta e bebida:
Ritmo: Intenso, vigoroso. Um bom rock, ou techno, ou hip-hop, ou jazz, ou ópera, ou sonata...
Cor: Negro, verde, vermelho.
Fruta: Amoras silvestres.
Bebida: Sakê de flores.

18 - Uma mulher, um homem e uma criança:
Minha mana. Meu mano. Meu filho.

19 - Lugar, época e saudade:
Lugar: Uma vila medieval, na Espanha, com direito a castelo. Uma floresta no Japão.
Época: O início do homem, quando ainda éramos um só com a Natureza, e ela era nosso Mundo. A honestidade e a simplicidade da Grécia Antiga. A fé e a honra do Homem Medieval. A rebeldia dos Românticos contra a Razão da Idade Moderna. O hoje, como lugar de luta e transformação, como um lugar de alternativas e oportunidades para uma mulher como eu, e de estrutura, para meu filho.
Saudade: Da minha infância, primos, brincadeiras, tanto verde e peraltices, sonhos, tantas coisas divididas e certezas, minha Vó cercada por suas filhas e netos nos Natais, nas Páscoas... Meus amados, cada vez que não os vejo. Minha gata siamesa.

20 - Com quantos anos você aprendeu a viver?
Acho que aprendemos continuamente. Dizer que já aprendeu a viver é dizer que está petrificado, que está morto de olhos abertos... Acho que aprendi sobre solidão e sofrimento com cerca de 4 anos. Sobre responsabilidade com 6 ou 7, cuidando meu mano. Sobre meu poder com palavras com uns 12 anos. Sobre decepção com amor com 15. Sobre os fogos da paixão aos 17. Sobre maternidade com 24. Sobre levar a sério os sonhos com 25. Sobre ter dignidade e exigir respeito aos 29. Sobre tocar minha vida como quero, só agora.

Amaldiçoados:
Hahaha, deixo que você mesmo escolha se quer essa maldição para você. Não esqueça de me avisar do seu questionário com um link no comentário.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

... e Deus fez a mulher...

Sangue...
O cheiro ferroso encheu sua boca, e então o acre de fezes e o pesado aroma de carne putrefata e tripas expostas. A mistura enovelou-se por suas sinuosas, longas, fosssas nasais. Deitou-se sobre sua língua... Ash rilhou os dentes - a sanha de matar transbordava por sua espinha, parecia que ia inundar seu cérebro, pulsando e fervendo dentro de seu crânio. Todos mortos...

Tensionou-se. Não sou mais um deles... Forçou sua consciência a subir de protocolo - Assegurar o perímetro. Procurar sobreviventes. O olho cuidou seu parceiro, os sentidos rastreando o ambiente - Protegê-lo - isso deve ser mais importante que eliminar inimigos.

A mão direita balançava inquieta perto do coldre da adaga - Banshee. Libertou o chicote da presilha em sua cintura. E passeava com os dedos pelo cabo emborrachado, como se acarinhasse a cabeça de seu wolfhound, para mantê-lo quieto até o calor da caçada. Espere... o momento certo... O impulso de matar ia e vinha como um tic tac constante em sua cabeça.

Na escuridão da cabine, mais corpos. Drako avançava. Já ele, se continha. Então, a quebra. Movimento. Som. Um pico de adrenalina. Refreou-se por completo, pois empunhara a arma e seu espírito disparava para aquela lona: viu-se puxando-a e aniquilando quem quer que fôsse ali debaixo.

Não foi o que fez... Manteve-se estacado. Vigiou Drako. Ele destapou-a. Poderia cortar o ar e estar lá a tempo de impedi-la de tocá-lo? Engoliu em seco. Só faça algo, se tiver certeza . Encurtou distância. Ela preencheu sua vista. Branca, o corpo formando um nó apertado sobre si mesma. Os cabelos como uma serpente de cobre enrolados em sua pele exposta. Eva e a serpente no Paraíso... Coágulos por todo seu corpo. Percebeu um som, um ritmo que lhe agradava - e então, finalmente, soube que ela também tinha dois corações. Duas batidas. Como "ele". Franziu o rosto. Acusou-a.

Seu companheiro - isso era bizarro - a oferecera a ele. Dar-lhe uma chance... Arregalou o único olho encarando-o na face depois detendo-se na mulher, chocado... Uma chance?... Como a que nós tivemos?... Estava contrariado, mas cedeu.

Levou-a até a praia. Olhou o Sol e depois ela, de soslaio. Viu dúvida nos olhos dela, talvez um pouco de medo, ou só confusão. As memórias invadiram sua mente. Verdade, ela era uma fêmea, como aquelas que ele jamais tratara bem... Estava frio, estava exposta. Ela repetia as mesmas palavras: "dor, dor" pedia que ele fizesse parar. De repente, abaixou-se na areia e escondeu-a protetoramente num abraço...

Sua voz tornou-se suave - ah, ele era um predador perigoso, camuflava-se para ganhar sua vítima. Podia mimetizar os humanos e ser incrivelmente sedutor e civilizado... Estaria usando de tática, ou realmente querendo ser gentil com a sua carga?... Perguntou a ela sobre o ferimento em seu peito sob as faixas de gaze. Amnésia, ou algo assim.

Lágrimas cintilando entre os cílios. "Desculpe, não estou fazendo direito... E você... está só me dando nos nervos!" Ela aceitou o tubo e tomou-o em muitos goles sofridos. Sentiu traição nele tão logo o efeito se iniciou, mas, para o pior ou o melhor confiou na resposta dele. Os humanos vieram - seria ruim se uma confusão começasse ali, e por isso os manteve longe dando-lhe uma tarefa... Primeiro, saber mais dela.

Frustração. Era o que lia no rosto do companheiro de andar pesado, que chegava. Sem mais sobreviventes, sem respostas, ao que parecia. Ia iniciar um interrogatório, mas a garota entrou em pânico - o emblema da Companhia no ombro do loiro. Teve de revelá-los a ela, mas isso realmente não importava manter em segredo. E novamente ela acreditou nele o suficiente. Mas não tinha informações.

Ondulações no humor de Drako. Ash escutava-o. Percebia preocupação e mal-estar. Revelou o que encontrara no cargueiro. Um sinalizador da Shinra. Iria atrair as vespas contra eles. Tinham aquela incógnita com eles, mas a possibilidade de um novo ataque a Condor Fort era mais pungente que desconfianças. Ela estava agora avisada. O Ex-Soldier formalizara tudo que ele planejara, antes de deixá-los a sós, uma segunda vez, incomodado.

Ante o olho amarelo que não a perdia um milésimo de segundo, ela parecia fragilizada e só. Ficou observando-a vestir-se e acompanhou seu olhar: as crianças a atraíam. Franziu a testa. E desta vez, Ike entrou em seu círculo de ação. Retesou-se de novo. Nada poderia acontecer àquele garoto. Permitiu que ele oferece-lhe sua ajuda e esperou que ela rejeitasse, para então afastá-lo também, à revelia.

Ela tinha um nome, diferentemente dele: Ane Marie. Chamou-a por ele e começou a triá-la mais fundo. Começou por ofertar-lhe algumas respostas sinceras. Cachimbo da paz. Em troca, ela dispos-se a unir-se aos rebeldes. Ash cutucou-a: mais uma vez só a verdade. Ela reagiu. A voz doce e quente ressoou em seus tímpanos, cada inflexão, o timbre, o gênio forte e determinado sibilando em cada sílaba.

Sorriu e desviou o rosto lívido, aprovando.

Não queria gostar dela.

Ia precaver-se.


My girl, my girl, don't lie to me,
Tell me where did you sleep last night?

In the pines, in the pines
Where the sun will never shine
I would shiver the whole night through